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quinta-feira, 3 de abril, 2025

Pecuária e soja são principais responsáveis pela devastação da Mata Atlântica, aponta estudo

O desmatamento da Mata Atlântica entre 2010 e 2020 teve como principais responsáveis a pecuária, a silvicultura para a produção de carvão e as plantações de soja. Essas atividades econômicas resultaram na perda de uma área equivalente a 200 mil campos de futebol de floresta, a maior parte delas em pequenas propriedades privadas e com indícios de ilegalidade.

Uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de São Paulo e da ONG SOS Mata Atlântica, utilizou imagens de satélite para analisar o desmatamento nas regiões de Mata Atlântica do Brasil. O estudo revelou a derrubada de mais de 186 mil hectares de florestas maduras em 14 mil locais distintos, abrangendo a costa do Nordeste até o Sul do país.

O levantamento foi publicado nesta sexta-feira (14) na revista Nature Sustainability e analisou padrões espaciais e temporais do desmatamento, considerando a distribuição geográfica, o tamanho das áreas desmatadas, o perfil fundiário e o uso da terra após o desmatamento.

Áreas mais afetadas

A Bahia se destacou como o estado com maior perda de Mata Atlântica, principalmente na região limítrofe com Minas Gerais, um dos maiores pontos críticos do desmatamento. Nessa área, a produção de carvão, com o cultivo de eucalipto para termelétricas, é uma das atividades mais impactantes. Propriedades mineiras também foram citadas, além de perdas significativas no Paraná e em Santa Catarina.

O estudo alerta ainda para os impactos ambientais que esse desmatamento provoca, como o agravamento do aquecimento global devido à emissão de gases do efeito estufa e a redução na qualidade e quantidade das águas que abastecem as cidades. A pesquisa destaca a importância da região para a população brasileira, já que a Mata Atlântica influencia diretamente a vida de milhões de pessoas.

Falta de proteção e governança

A pesquisa também aponta a insuficiência de áreas protegidas para conter o avanço do desmatamento. A coautora do estudo, Silvana Amaral, pesquisadora do INPE, enfatiza que, apesar do desmatamento dentro de terras indígenas e quilombolas ser menor, ainda assim é preocupante. “Isso evidencia a necessidade de maior suporte a essas comunidades e uma governança ambiental mais efetiva”, afirmou.

Os autores do estudo sugerem, além de intensificar a aplicação da Lei da Mata Atlântica, que se invista na restauração de ecossistemas degradados e na ampliação das áreas protegidas. Essas ações devem ser combinadas com esforços para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável.

Desmatamento ilegal e a falta de fiscalização

O estudo destaca que o desmatamento ocorrido em áreas privadas, especialmente em pequenas propriedades, pode ter sido amplamente ilegal. Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, ressalta que a Lei da Mata Atlântica, de 2006, deveria ser um suficiente instrumento para coibir tais atividades. No entanto, ele aponta que os mecanismos de fiscalização não foram eficazes e que o desmatamento continuou sem uma reação efetiva do Estado.

“É imprescindível fortalecer os mecanismos de fiscalização e criar incentivos econômicos para que a conservação seja viável, especialmente em propriedades privadas”, disse Pinto. Ele ainda destacou que, embora existam alguns projetos pioneiros voltados para a conservação, nenhum deles tem escala suficiente para reverter os aumentos no desmatamento.

Falta de conscientização e apoio político

O estudo também aponta a falta de um esforço educacional sistemático para conscientizar a população sobre a importância da preservação da Mata Atlântica. Guedes Pinto critica a postura de políticos que propõem a flexibilização das leis ambientais, o que reforça a sensação de impunidade e agrava o problema. Além disso, menciona que, durante o governo Bolsonaro, houve um aumento nas taxas de desmatamento, enquanto no início do governo Lula houve uma redução acentuada. “Isso tem relação com a postura do governo, que enfraqueceu órgãos como o Ibama”, afirmou Pinto.

O porta-voz da SOS Mata Atlântica conclui que, independentemente do governo, é essencial que a proteção da Mata Atlântica se torne uma política de Estado e seja respeitada por todas as esferas do poder.

Com informações Agência Brasil

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