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Três Lagoas
sexta-feira, 4 de abril, 2025

Diretor da Casa do Trabalhador fala sobre a falta de mão de obra e oportunidades em Três Lagoas

Sidney Abreu reforçou que devido à falta de qualificação, muitos acabam conquistando suas vagas de emprego, principalmente em setores importantes na cidade.

A falta de mão de obra tem sido um desafio crescente em Três Lagoas e em todo o Mato Grosso do Sul. Durante entrevista ao programa A Hora da Notícia, da Caçula FM 96,9, na última quinta-feira, 03, o diretor da Casa do Trabalhador de Três Lagoas, Sidney Abreu, abordou as dificuldades no preenchimento das vagas, o impacto da qualificação profissional e a resistência de alguns trabalhadores a mudanças no mercado de trabalho.

De acordo com Sidney, o problema não está necessariamente na falta de interesse por parte dos trabalhadores, mas em fatores como o aquecimento do mercado, a exigência crescente por qualificação e o receio de perder benefícios sociais ao ingressar no mercado formal. “A gente tem sofrido realmente com a falta de mão de obra, não só em Três Lagoas, mas em todo o estado. E antes que o pessoal critique, não é porque as pessoas não querem trabalhar. São vários fatores, como o alto índice de vagas e o receio de perder benefícios”, explicou.

Outro ponto crítico levantado na entrevista foi a dificuldade em preencher vagas que exigem qualificação específica. Muitas empresas têm flexibilizado critérios de contratação, e mesmo assim, as vagas seguem abertas. “A Funtrab, junto com o Governo do Estado, tem o MS Qualifica, que oferece cursos de capacitação. Mas no ano passado tivemos um alto índice de desistência. As pessoas se inscrevem e não comparecem ou abandonam os cursos”, lamentou.

O diretor também destacou que o problema da falta de mão de obra não se restringe a um setor específico, afetando áreas como comércio, construção civil, indústria e silvicultura. Mesmo empresas que oferecem alojamento e estrutura completa para funcionários encontram dificuldades em preencher quadros. “As empresas estão treinando novos funcionários e até reduzindo exigências, mas a dificuldade persiste.”

Outro desafio mencionado foi a resistência de muitos trabalhadores a saírem de suas áreas de atuação, mesmo diante de oportunidades melhores. “Algumas pessoas preferem continuar na função antiga por medo da mudança, mesmo com uma oferta de salário maior em outra função”, disse Sidney.

A busca por trabalho entre os jovens também preocupa. Segundo ele, a nova geração não tem procurado a Casa do Trabalhador com a frequência esperada. “Há vagas sem exigência de experiência, uma ótima oportunidade para os jovens iniciarem no mercado. Mas eles não têm buscado tanto.”

A Casa do Trabalhador também passou por mudanças na forma de atendimento. Antes, os interessados podiam agendar atendimentos via aplicativo e verificar as vagas online. Agora, é necessário comparecer presencialmente. “Isso faz com que os candidatos conheçam mais oportunidades, ao invés de ficarem presos às vagas que veem online. Muitas vezes há opções melhores, mas eles só descobrem ao passar pelo atendimento”, explicou Sidney.

A ampliação das vagas para outros municípios, como Brasilândia, Selvíria e Inocência, também foi abordada. Empresas dessas regiões estão cadastrando oportunidades em Três Lagoas, oferecendo alojamento e benefícios para atrair trabalhadores. Sidney ressaltou a importância da conscientização sobre oportunidades de trabalho e a necessidade de adaptação dos candidatos. “Quem quer trabalhar precisa estar disposto a aprender e considerar novas funções. A Casa do Trabalhador está à disposição para ajudar na recolocação profissional e facilitar esse caminho.”

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